{"id":479,"date":"2011-05-31T12:13:50","date_gmt":"2011-05-31T12:13:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/?page_id=479"},"modified":"2013-11-26T13:03:11","modified_gmt":"2013-11-26T13:03:11","slug":"os-atuais-desastres-geologicos-uma-chave-para-o-passado-e-uma-chave-para-o-futuro","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.evidenciasonline.org\/?page_id=479","title":{"rendered":"OS ATUAIS DESASTRES GEOL\u00d3GICOS:"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">UMA CHAVE PARA O PASSADO E PARA O FUTURO<\/h2>\n<p>Autor: <strong>Nahor Neves de Souza Jr<\/strong><\/p>\n<p>Publicado:<strong> Parousia, 1.\u00ba semestre \u2013 2010,\u00a0 Ano 9, N\u00famero 1, pg. 109-133, UNASPRESS<\/strong><\/p>\n<h3>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Atualismo, em sua concep\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, tamb\u00e9m intitulado  \u201cUniformitarismo\u201d (ou \u201cUniformismo\u201d), defendido por James Hutton (s\u00e9culo  XVIII) e Charles Lyell (s\u00e9culo XIX) \u2013 os pais da geologia evolucionista  \u2013 considera \u201co presente como sendo a chave do passado\u201d. Esse passado  teria sido igual ao presente em g\u00eanero e intensidade dos processos  geol\u00f3gicos ordin\u00e1rios (n\u00e3o catacl\u00edsmicos) atuantes na crosta terrestre.  Neste caso, o Gradualismo (mudan\u00e7as lentas e graduais, durante milh\u00f5es  de anos), como parte integrante do processo, afastou decisivamente a  possibilidade de eventos catastr\u00f3ficos na Coluna Geol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posteriormente, o Atualismo passou a ter novo significado: constitui a  afirma\u00e7\u00e3o da const\u00e2ncia das leis naturais que t\u00eam regido a Terra,  durante os longos per\u00edodos (dezenas de milh\u00f5es de anos) de calmaria  geol\u00f3gica. Nessa nova proposta, considera-se a possibilidade de os  eventos geol\u00f3gicos terem, esporadicamente, se desenvolvido com maior  intensidade. Neste caso, o \u201cCatastrofismo\u201d e o Atualismo podem defender  alguns pontos de vista mutuamente inclusivos. Surge ent\u00e3o, no s\u00e9culo XX,  uma \u201cnova\u201d hip\u00f3tese, denominada \u201cNeocatastrofismo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 tarefa dif\u00edcil identificar a descoberta mais importante que  influiu para o estabelecimento do Neocatastrofismo e, conseq\u00fcentemente,  para o enfraquecimento do Atualismo de Hutton e Lyell. Consiste da  hip\u00f3tese proposta por Alvarez (1980) \u2013 queda de gigantesco meteorito que  teria provocado total exterm\u00ednio dos dinossauros e outras prov\u00e1veis  mudan\u00e7as repentinas sobre a superf\u00edcie da Terra. No entanto, o  predom\u00ednio n\u00e3o apenas do Uniformismo, mas tamb\u00e9m do Neocatastrofismo  ocasionaram, seguramente, uma s\u00e9rie de problemas, ou mesmo preju\u00edzos, no  desenvolvimento do pr\u00f3prio conhecimento geol\u00f3gico, nos \u00faltimos 150  anos. Ou seja, a imposi\u00e7\u00e3o destes dois paradigmas geol\u00f3gicos dificultou a  visualiza\u00e7\u00e3o, ou mesmo impediu a correta interpreta\u00e7\u00e3o, de determinados  eventos geol\u00f3gicos catastr\u00f3ficos e cont\u00ednuos \u2013 os Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos  Globais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisas recentes no campo da Geologia e da Paleontologia,  abrangendo toda a hist\u00f3ria faneroz\u00f3ica (trecho da Coluna geol\u00f3gica que  cont\u00e9m o Registro F\u00f3ssil \u2013 ver Figura 10), t\u00eam proporcionado muitas  informa\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 compreens\u00e3o dos seguintes Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos  Globais, ocorridos no passado:<\/p>\n<ol>\n<li>Grandes Prov\u00edncias \u00cdgneas (LIPs)<\/li>\n<li>Fragmenta\u00e7\u00e3o do Pangea e Tect\u00f4nica de Placas<\/li>\n<li>Impactos de Gigantescos Meteoritos<\/li>\n<li>Extin\u00e7\u00e3o (Mortandade) em Massa<\/li>\n<li>A\u00e7\u00e3o Devastadora de Megatsunamis<\/li>\n<li>Extensas e Espessas Deposi\u00e7\u00f5es Sedimentares<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos, atualmente, em um ambiente de calmaria geol\u00f3gica (fen\u00f4menos  geol\u00f3gicos ordin\u00e1rios), interrompida esporadicamente por desastres  geol\u00f3gicos bastante pontuais, relativamente \u00e0s abrangentes \u00e1reas dos  referidos Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais (FGG). Dentre os eventos  geol\u00f3gicos atuais, aqueles que com mais freq\u00fc\u00eancia causam transtornos ao  meio ambiente, s\u00e3o as erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas violentas. Por mais  catastr\u00f3ficos que possam ser estes desastres naturais, n\u00e3o se comparam  com os eventos vulc\u00e2nicos ocorridos em determinada fase da hist\u00f3ria  geol\u00f3gica. Estamos nos referindo \u00e0s Grandes Prov\u00edncias \u00cdgneas (o  primeiro FGG).<\/p>\n<p><strong>O PASSADO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Grandes Prov\u00edncias \u00cdgneas (LIPs) correspondem a gigantescas  acumula\u00e7\u00f5es de rochas \u00edgneas ou magm\u00e1ticas (rochas formadas pelo  resfriamento do magma ou lava) que, provavelmente, representam o tipo  dominante de magmatismo nos planetas terrestres (Merc\u00fario, V\u00eanus, Terra e  Marte) e luas do Sistema Solar (COFFIN et alii, 2006). Na Terra, as  LIPs se distribuem por toda a sua superf\u00edcie (Figura 1) e representam,  depois da forma\u00e7\u00e3o dos assoalhos oce\u00e2nicos, os maiores fen\u00f4menos \u00edgneos  do planeta. Assim, estes eventos vulc\u00e2nicos, em sua totalidade, seriam  os respons\u00e1veis diretos por modifica\u00e7\u00f5es significativas em mais da  metade da \u00e1rea total da superf\u00edcie da crosta terrestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo integrado destas grandes prov\u00edncias \u00e9 plenamente  justific\u00e1vel, tendo em vista a exist\u00eancia de importantes rela\u00e7\u00f5es  temporais, espaciais e composicionais entre elas, apontando para eventos  de abrang\u00eancia global. Neste sentido, o estudo minucioso de determinada  prov\u00edncia \u00edgnea poder\u00e1 contribuir para uma melhor compreens\u00e3o das LIPs,  em geral, quanto \u00e0s suas prov\u00e1veis causas e efeitos. A grande prov\u00edncia  \u00edgnea, considerada mais detalhadamente a seguir, refere-se \u00e0 Forma\u00e7\u00e3o  Serra Geral, fen\u00f4meno ocorrido entre o \u201cJur\u00e1ssico\u201d e o \u201cCret\u00e1ceo\u201d  (localizar na Figura 10)<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"340\" height=\"32\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Figura 01\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/01.jpg\" alt=\"\" width=\"372\" height=\"186\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">FIGURA     1 \u2013 Distribui\u00e7\u00e3o global das Grandes     Prov\u00edncias \u00cdgneas (LIPs)<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong><em>Vulcanismo Serra Geral<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tente imaginar um tipo atividade vulc\u00e2nica, de propor\u00e7\u00f5es t\u00e3o  extraordinariamente catastr\u00f3ficas, que jamais teriam sido presenciadas  pelo homem moderno. Estamos nos referindo, especificamente, a uma Grande  Prov\u00edncia \u00cdgnea \u2013 o Vulcanismo Serra Geral (ver seta indicando local na  Figura 1), que abrange vast\u00edssima \u00e1rea na por\u00e7\u00e3o meridional da America  do Sul (Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina). Por ocasi\u00e3o deste evento  vulc\u00e2nico, a crosta terrestre se fragmentou, formando imensas fissuras  (com dezenas de quil\u00f4metros de extens\u00e3o e profundidade e centenas de  metros de largura) atrav\u00e9s das quais foram mobilizados colossais volumes  de magma (aproximadamente, 1.000.000 km<sup>3<\/sup>) em uma \u00e1rea superior a 1.500.000 km<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os derrames individuais da Forma\u00e7\u00e3o Serra Geral correspondem a  imensos fluxos de lava (hoje, rochas bas\u00e1lticas), com dezenas de metros  de espessura e centenas de quil\u00f4metros de extens\u00e3o, que se extravasaram  de maneira cont\u00ednua (Figura 2). Na realidade, este extraordin\u00e1rio  fen\u00f4meno geol\u00f3gico \u00e9 apenas a manifesta\u00e7\u00e3o de um \u00fanico evento vulc\u00e2nico  pret\u00e9rito, dentre muitos outros de porte equivalente, e igualmente  catastr\u00f3ficos, que se desenvolveram no passado, tanto em regi\u00f5es  continentais como nas vastas \u00e1reas oce\u00e2nicas (plat\u00f4s oce\u00e2nicos).<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"405\" height=\"32\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Figura 02\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/02.jpg\" alt=\"\" width=\"376\" height=\"279\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">FIGURA     2 \u2013 Vis\u00e3o parcial de um derrame de     lava solidificado \u2013 Rocha Bas\u00e1ltica (Ja\u00fa-SP)<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas pesquisas do autor do presente trabalho (Souza Jr., 1986 e 1992) \u2013  desenvolvidas junto a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), durante 12 anos \u2013  verificou-se que as evid\u00eancias de campo (estruturas e rela\u00e7\u00f5es de  contato) e os resultados de an\u00e1lises microsc\u00f3picas (aspectos texturais e  mineralogia), dentre outras evid\u00eancias encontradas, apontam para um  per\u00edodo de apenas algumas <strong>semanas<\/strong> para o tempo de  forma\u00e7\u00e3o do catastr\u00f3fico vulcanismo Serra Geral. \u00c9 um al\u00edvio saber que  manifesta\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas amplas e catacl\u00edsmicas como estas n\u00e3o est\u00e3o  ocorrendo hoje.<\/p>\n<p><strong><em>Outros Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a \u00e1rea do Atl\u00e2ntico Sul, verifica-se que a Prov\u00edncia Serra Geral  ocorreu imediatamente antes do in\u00edcio da separa\u00e7\u00e3o das Placas Sul  Americana e Africana. Ap\u00f3s a fragmenta\u00e7\u00e3o do antigo super-continente  Pangea (Figura 3a), o magmatismo bas\u00e1ltico Serra Geral migrou para leste  e se estabeleceu em uma enorme fenda (milhares de quil\u00f4metros de  extens\u00e3o) \u2013 originando o proto-oceano atl\u00e2ntico \u2013 que, a partir de  sucessivas movimenta\u00e7\u00f5es distensivas e acr\u00e9scimos laterais de lava  bas\u00e1ltica, resultou no atual assoalho do Oceano Atl\u00e2ntico, preservando  na sua por\u00e7\u00e3o central a mesma fenda, que corresponde ao vale central  (\u201crift-valley\u201d) da extensa cordilheira meso-atl\u00e2ntica (Figura 3b).<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"411\" height=\"25\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"218\" valign=\"top\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-03a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-533\" title=\"Figura 03a\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-03a.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"227\" \/><\/a><br \/>\n(a)<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"218\" valign=\"top\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-03b2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-539\" title=\"Figura 03b\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-03b2.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"223\" \/><\/a><br \/>\n(b)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" colspan=\"2\" width=\"436\" valign=\"top\">FIGURA 3 \u2013 Fragmenta\u00e7\u00e3o do Pangea   (a) e forma\u00e7\u00e3o da Cordilheira Meso-Atl\u00e2ntica (b)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste caso, o pr\u00f3prio Oceano Atl\u00e2ntico teria se formado lenta e  gradualmente, ou de forma r\u00e1pida e catastr\u00f3fica?\u00a0 A semelhan\u00e7a not\u00e1vel,  entre os contornos da Am\u00e9rica do Sul, da \u00c1frica e da Cordilheira  Meso-Atl\u00e2ntica (ver Figura 3b), parece n\u00e3o se ajustar a prolongados  per\u00edodos de afastamentos das duas \u00e1reas continentais, originalmente  contiguas. Na busca por respostas \u00e0 referida quest\u00e3o, deve ainda ser  considerado o r\u00e1pido processo de forma\u00e7\u00e3o de determinadas LIPs e sua  prov\u00e1vel associa\u00e7\u00e3o com o mecanismo de forma\u00e7\u00e3o do assoalho do Oceano  Atl\u00e2ntico. Neste sentido, a pr\u00f3pria crosta atl\u00e2ntica corresponderia,  provavelmente, a uma das maiores, sen\u00e3o a maior de todas as prov\u00edncias  \u00edgneas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, em princ\u00edpio, o per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o da LIP Serra Geral (<strong>semanas<\/strong>) poderia se ajustar a fase inicial da forma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Oceano Atl\u00e2ntico que se prolongou por <strong>meses<\/strong> at\u00e9 o \u201cPale\u00f3geno\u201d (ver Figura 10). A partir do \u201cNe\u00f3geno\u201d (ver Figura  10) o processo de expans\u00e3o do assoalho do Oceano Atl\u00e2ntico pode ter  ocorrido de forma bem mais lenta. Conv\u00e9m lembrar que fen\u00f4meno semelhante  tamb\u00e9m ocorreu no desenvolvimento do Oceano \u00cdndico. A forma\u00e7\u00e3o de ambos  os oceanos e outros eventos de grande magnitude associados pertencem a  um fen\u00f4meno mais abrangente \u2013 a tect\u00f4nica de placas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder\u00edamos ent\u00e3o afirmar que, de certa forma, tanto a Prov\u00edncia \u00cdgnea  Serra Geral como as outras Grandes Prov\u00edncias \u00cdgneas (inclusive as  \u201cmega-prov\u00edncias do atl\u00e2ntico e do \u00cdndico\u201d) estariam estreitamente  ligadas \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o do Pangea e \u00e0 tect\u00f4nica de placas \u2013 o segundo  Fen\u00f4menos Geol\u00f3gico Global (FGG) mencionado na introdu\u00e7\u00e3o. Mas, \u00e9  poss\u00edvel ainda se constatar \u00edntima associa\u00e7\u00e3o das LIPs com outros  eventos geol\u00f3gicos de amplitude global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos recentes, objetivando identificar a origem das Grandes  Prov\u00edncias \u00cdgneas, sugerem a a\u00e7\u00e3o de violentos impactos de gigantescos  meteoritos (o terceiro FGG) como desencadeadores destas mesmas  prov\u00edncias \u00edgneas (Jones, 2005). Ou seja, os b\u00f3lidos impactantes teriam  promovido a descompress\u00e3o local e a conseq\u00fcente fus\u00e3o das rochas do  Manto Superior (forma\u00e7\u00e3o do magma). Outros estudiosos do assunto  consideram tamb\u00e9m a possibilidade das LIPs estarem diretamente  associadas a extin\u00e7\u00f5es em massa de incont\u00e1veis seres, hoje fossilizados \u2013  o quarto Fen\u00f4meno Geol\u00f3gico Global (Wignall, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisadores, neste mesmo tema, destacam ainda fortes evid\u00eancias da  superposi\u00e7\u00e3o de tr\u00eas fen\u00f4menos geol\u00f3gicos de amplitude global \u2013 os  impactos meteor\u00edticos, as Grandes Prov\u00edncias \u00cdgneas e as extin\u00e7\u00f5es em  massa (Glikson, 2005). Desta forma, considerando-se o poss\u00edvel v\u00ednculo  (j\u00e1 comentado) das LIPs com a tect\u00f4nica de placas, verifica-se a \u00edntima  inter-rela\u00e7\u00e3o de quatro Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais, dentre os seis  inicialmente mencionados. Os tempos envolvidos, nessa conjun\u00e7\u00e3o de  eventos globais, evidentemente, correspondem a <strong>semanas <\/strong>e <strong>meses<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria ent\u00e3o poss\u00edvel extrair, deste cen\u00e1rio dram\u00e1tico, uma seq\u00fc\u00eancia  de eventos, ou melhor, como estes quatro Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais  come\u00e7aram a atuar? Os dois fen\u00f4menos restantes \u2013 megatsunamis (o quinto  FGG) e vastas deposi\u00e7\u00f5es sedimentares (o sexto FGG) \u2013 estariam tamb\u00e9m  correlacionados? Tendo em vista os dados, atualmente dispon\u00edveis, no  campo das ci\u00eancias naturais, haveria ainda a possibilidade de se definir  o evento global primordial que teria desencadeado os outros Fen\u00f4menos  Geol\u00f3gicos Globais? Estudos em Planetologia Comparada parecem fornecer  importantes dados para se responder as referidas quest\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os planetas e sat\u00e9lites do Sistema Solar apresentam evid\u00eancias  diretas e indiretas de colis\u00f5es com aster\u00f3ides e\/ou cometas.  Esporadicamente, pequenos meteoritos ainda atingem a Terra. A  proveni\u00eancia de todos esses corpos errantes parece estar associada ao  Cintur\u00e3o de Aster\u00f3ides (ou Cintur\u00e3o Principal), situado em uma \u00f3rbita  entre os planetas Marte e J\u00fapiter (Figura 4). Exatamente a posi\u00e7\u00e3o  orbital ocupada, atualmente, por este cintur\u00e3o, segundo alguns  astr\u00f4nomos e ge\u00f3logos, teria pertencido ao \u201cquinto planeta\u201d que em  determinado momento desintegrou-se. Dessa explos\u00e3o, fragmentos de todos  os tamanhos (aster\u00f3ides e cometas) teriam se espalhado por todo o  Sistema Solar. Esse fen\u00f4meno tem sido denominado de o<strong> \u201cGrande Bombardeamento\u201d <\/strong>e constitui importante linha de pesquisa da Astrogeologia.<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"411\" height=\"25\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-04.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Figura 04\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-04.jpg\" alt=\"\" width=\"382\" height=\"239\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">FIGURA     4 \u2013 Sistema Solar: notar cintur\u00e3o de     aster\u00f3ides (fragmentos rochosos em \u00f3rbita)<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">A superf\u00edcie do nosso sat\u00e9lite natural \u2013 a Lua \u2013 caracteriza-se,  notavelmente, como a mais forte evid\u00eancia vis\u00edvel dessa singular e  devastadora \u201cchuva de aster\u00f3ides\u201d. Ela est\u00e1 incrustada por in\u00fameras  estruturas de impacto (Figura 5). A grande quantidade de superposi\u00e7\u00f5es  de crateras de impacto (ou astroblemas) de todos os tamanhos  impossibilita uma avalia\u00e7\u00e3o quantitativa exata (superior a 30.000).  Astroblemas gigantescos (manchas escuras), como a cratera \u201cMare Imbrium\u201d  (1.000 km de di\u00e2metro), podem ser facilmente identificados na Lua.  Interessante \u00e9 notar que estas manchas escuras est\u00e3o associadas a outro  fen\u00f4meno: a libera\u00e7\u00e3o de fant\u00e1sticas quantidades de magma bas\u00e1ltico que  se extravasaram sobre imensas \u00e1reas, como conseq\u00fc\u00eancia imediata dos  referidos impactos. Seriam estas as LIPs lunares? Fen\u00f4menos similares  tamb\u00e9m s\u00e3o identificados em Merc\u00fario, em Marte, em V\u00eanus e na pr\u00f3pria  Terra (como j\u00e1 explicado).<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"403\" height=\"24\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-05.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Figura 05\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-05.jpg\" alt=\"\" width=\"352\" height=\"342\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">FIGURA 5 \u2013 Milhares de     astroblemas vis\u00edveis na Lua: notar as manchas escuras (rocha bas\u00e1ltica)<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, por que existem t\u00e3o poucas (em torno de 200) crateras de impacto  identificadas na superf\u00edcie terrestre, comparativamente \u00e0 Lua? Tendo em  vista que 70% da superf\u00edcie da Terra \u00e9 recoberta pelos oceanos, muitas  crateras ou estruturas circulares estariam ocultas ou teriam sido  destru\u00eddas pelos fen\u00f4menos de forma\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do assoalho oce\u00e2nico  (tect\u00f4nica de placas). Por outro lado, as \u00e1reas continentais foram  repetidas vezes erodidas e assoreadas por volumosas quantidades de  material sedimentar (transportados por gigantescos tsunamis),  obliterando assim muitas outras crateras de impacto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros fatores devem ainda ser considerados, na tentativa de se  compreender o porqu\u00ea da escassez de astroblemas na superf\u00edcie do globo  terrestre. Determinadas atividades geol\u00f3gicas, desenvolvidas em extensas  \u00e1reas continentais marginais (cintur\u00f5es metam\u00f3rficos), que constituem  hoje as grandes cadeias montanhosas, podem tamb\u00e9m ter deformado ou mesmo  destru\u00eddo outros astroblemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo os locais de impacto, n\u00e3o afetados pelos j\u00e1 referidos processos  de oblitera\u00e7\u00e3o, podem ter suas correspondentes estruturas circulares  ocultadas por um motivo muito simples: alguns meteoritos de maiores  dimens\u00f5es, ao colidirem violentamente com a Terra (Figura 6), teriam  promovido a libera\u00e7\u00e3o de grandes volumes de magma (LIPs) de tal forma  que o pr\u00f3prio fen\u00f4meno vulc\u00e2nico fissural teria ent\u00e3o, provavelmente,  auto-obliterado as correspondentes estruturas de impacto (crateras com  centenas de quil\u00f4metros de di\u00e2metro). Assim, por todos estes fatores, a  grande maioria dos astroblemas (em \u00e1reas terrestres e oce\u00e2nicas) n\u00e3o \u00e9  pass\u00edvel de identifica\u00e7\u00e3o direta ou visual.<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"396\" height=\"31\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-06.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Figura 06\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-06.jpg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"280\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">FIGURA     6 \u2013 Provavelmente,     milhares de gigantescos meteoritos colidiram com a Terra<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando-se o fator tempo envolvido nos efeitos imediatos dos  referidos impactos de meteoritos, ao desencadear outros fen\u00f4menos  geol\u00f3gicos igualmente catastr\u00f3ficos, n\u00e3o \u00e9 tarefa dif\u00edcil constatarmos  que <strong>minutos<\/strong>,<strong> horas<\/strong>,<strong> dias<\/strong>,<strong> semanas <\/strong>e <strong>meses<\/strong>,  correspondem a per\u00edodos de tempo em que dr\u00e1sticas transforma\u00e7\u00f5es  ocorreram na superf\u00edcie da terra. Neste cen\u00e1rio catacl\u00edsmico, qual teria  sido o efeito de tsunamis gigantescos (o quinto FGG), como resultado  dos impactos meteor\u00edticos em mares ou oceanos pr\u00e9-existentes ou em  forma\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"396\" height=\"31\" align=\"left\" valign=\"center\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" rowspan=\"2\" width=\"226\" valign=\"top\"><span style=\"text-align: center;\"><a href=\"..\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-07a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Figura 07 (a)\" src=\"..\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-07a.jpg\" alt=\"\" width=\"226\" height=\"351\" \/><\/a><\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: center;\">(a)<\/span><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"210\" valign=\"center\"><span style=\"text-align: center;\"><a href=\"..\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-07b.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Figura 07 (b)\" src=\"..\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-07b.jpg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"155\" \/><\/a><\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: center;\">(b)<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"210\" valign=\"center\"><span style=\"text-align: center;\"><a href=\"..\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-07c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Figura 07 (c)\" src=\"..\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-07c.jpg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"183\" \/><\/a><\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: center;\">(c)<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" colspan=\"2\" width=\"436\" valign=\"center\"><strong>FIGURA 7 \u2013<\/strong> Megatsunamis transportando material sedimentar, animais e plantas   (a) que, posteriormente, se transformaram em f\u00f3sseis (b) e vastas camadas de   carv\u00e3o (c)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A identifica\u00e7\u00e3o recente de tsunamitos (material sedimentar oriundo de  tsunamis), na Coluna Geol\u00f3gica (Dawson, et alii, 2007), pode ser o  in\u00edcio de um estudo promissor, visando a descoberta de muitas forma\u00e7\u00f5es  rochosas originadas pelo mesmo processo catastr\u00f3fico, mas que hoje s\u00e3o  associadas, equivocadamente, a processos lentos e graduais de  superposi\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o devastadora de ondas, com centenas de metros de  altura, deslocando-se rapidamente por milhares de quil\u00f4metros, invadindo  e erodindo vastas \u00e1reas continentais, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de imaginar. Esta  movimenta\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica de grandes volumes de \u00e1gua teria, por sua vez,  removido e transportado quantidades colossais de rochas, sedimentos,  vegeta\u00e7\u00e3o e animais (Figura 7a). Este material transportado teria sido,  em seguida, depositado nas vastas bacias sedimentares com seu fant\u00e1stico  conte\u00fado org\u00e2nico que, por sua vez, foi posteriormente transformado em  f\u00f3sseis (Figura 7b) e imensas jazidas de carv\u00e3o (Figura 7c).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, conv\u00e9m real\u00e7ar a espantosa quantidade de f\u00f3sseis \u2013  testemunhos irrefut\u00e1veis ou \u201cimortalizados\u201d de organismos, no momento em  que estavam sendo catastroficamente vitimados e sepultados \u2013  encontrados, praticamente, em toda a superf\u00edcie da Terra. Quando se  verifica as dimens\u00f5es do Registro F\u00f3ssil na crosta terrestre, se tem a  impress\u00e3o de estar sobre um vasto e extraordin\u00e1rio cemit\u00e9rio, onde  poder\u00edamos identificar aproximadamente 250.000 diferentes esp\u00e9cies de  seres e um n\u00famero incont\u00e1vel de esp\u00e9cimes, notavelmente preservados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao observarmos ainda os detalhes do Registro F\u00f3ssil, formado  predominantemente por seres de habitat marinho, nota-se que outras  poss\u00edveis modifica\u00e7\u00f5es ambientais podem ter ocorrido. Certamente, na  ocasi\u00e3o, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas dr\u00e1sticas contribu\u00edram de maneira decisiva  para intensificar os processos de mortandade em massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qu\u00e3o rapidamente foram sepultados os seres nos referidos epis\u00f3dios de  mortandade em massa (o quarto Fen\u00f4meno Geol\u00f3gico Global)? Na verdade, a  pr\u00f3pria exist\u00eancia dos f\u00f3sseis por si s\u00f3, constitui eloq\u00fcente evid\u00eancia  do curt\u00edssimo intervalo de tempo entre a morte catastr\u00f3fica dos  correspondentes seres e o in\u00edcio dos processos de cont\u00ednuo soterramento  que, por sua vez, apontam para tempos equivalentes a <strong>horas,<\/strong> <strong>dias, semanas e meses<\/strong>. \u00c9 importante ainda destacar que, em v\u00e1rios casos, o soterramento e a mortandade foram simult\u00e2neos (sepultamento em vida).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, nos deparamos com o sexto e derradeiro Fen\u00f4meno Geol\u00f3gico  Global \u2013 extensas e espessas deposi\u00e7\u00f5es sedimentares (Figura 8), ou as  atuais rochas sedimentares com seu rico conte\u00fado fossil\u00edfero, que  comp\u00f5em as grandes bacias sedimentares. Quando observamos as extensas  camadas sedimentares, com centenas de milhares de km<sup>2<\/sup>,  separadas por n\u00edtidos contatos plano-paralelos, estamos na realidade  visualizando uma forte evid\u00eancia de sua r\u00e1pida e cont\u00ednua superposi\u00e7\u00e3o  (com intervalos de tempo equivalentes a <strong>dias<\/strong>, <strong>semanas<\/strong> e <strong>meses<\/strong>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de deposi\u00e7\u00e3o pode ser ainda mais r\u00e1pido. Ou seja, em  muitos dos extensos afloramentos de rochas sedimentares, as camadas  plano-paralelas podem indicar o fen\u00f4meno da estratifica\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea,  onde no pr\u00f3prio fluxo do material sedimentar ocorre a diferencia\u00e7\u00e3o  destas mesmas camadas (Makse, 1997). Neste caso, o espa\u00e7o de tempo entre  os estratos \u00e9 praticamente nulo. A forma\u00e7\u00e3o de turbiditos (<a title=\"Rocha sedimentar\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rocha_sedimentar\">dep\u00f3sitos sedimentares<\/a> orginados por correntes de <a title=\"Turbidez (p\u00e1gina n\u00e3o existe)\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Turbidez&amp;action=edit&amp;redlink=1\">turbidez<\/a> submarinas) exemplifica muito bem o fen\u00f4meno da estratifica\u00e7\u00e3o  espont\u00e2nea. Recente evento catastr\u00f3fico \u2013 explos\u00e3o do vulc\u00e3o Santa  Helena (EUA) \u2013 propiciou uma not\u00e1vel evid\u00eancia do processo de  estratifica\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea ou expont\u00e2nea (Figura 12).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"430\" height=\"32\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-08.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-517\" title=\"Figura 08\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-08.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-08.jpg 391w, https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-08-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">FIGURA     8 \u2013 Grand Canyon (EUA): notar as     extensas camadas com contatos plano-paralelos<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">As vast\u00edssimas deposi\u00e7\u00f5es sedimentares, eventualmente intercaladas  com volumosos corpos \u00edgneos (intrusivos e extrusivos), constituem o  produto final da a\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica de eventos geol\u00f3gicos que modificaram  toda a superf\u00edcie da crosta terrestre em um curto per\u00edodo de tempo.  Como exemplo, mencionamos a Bacia Sedimentar do Paran\u00e1, localizada na  por\u00e7\u00e3o meridional da Am\u00e9rica do Sul, com espesso pacote de material  sedimentar que atinge os 7.000 metros, abrangendo uma \u00e1rea de 1.500.000  km<sup>2<\/sup>. Esta grande Bacia, al\u00e9m de conter o volumoso conte\u00fado  magm\u00e1tico da Forma\u00e7\u00e3o Serra Geral, dentre outras forma\u00e7\u00f5es, inclui os  folhelhos e calc\u00e1rios do Sub-Grupo Irati (1.000.000 km<sup>2<\/sup>) e os arenitos da Forma\u00e7\u00e3o Botucatu (1.500.000 km<sup>2<\/sup>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fen\u00f4menos geol\u00f3gicos ordin\u00e1rios (lentos, graduais e n\u00e3o  catastr\u00f3ficos), que caracterizam muito bem a calmaria geol\u00f3gica vigente,  jamais resultariam em espessos e extensos pacotes de rochas  sedimentares com rico conte\u00fado f\u00f3ssil, como aqueles identificados na  Coluna Geol\u00f3gica e aqui exemplificados. Ou seja, em nenhum local, da  vasta superf\u00edcie da Terra, encontraremos hoje processos de sedimenta\u00e7\u00e3o  ou fossiliza\u00e7\u00e3o que resultar\u00e3o, em um futuro distante, em novas bacias  sedimentares, com novas camadas de rocha, contendo um novo registro  f\u00f3ssil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algo diferente e \u00fanico ocorreu durante a manifesta\u00e7\u00e3o dos seis  Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais (Figura 9), resumidamente apresentados no  presente trabalho, e ao reconhec\u00ea-los constatamos que este momento  tr\u00e1gico na hist\u00f3ria da terra deixou marcas indel\u00e9veis, perfeitamente  identific\u00e1veis. O colossal volume de rochas sedimentares, os imensos  corpos \u00edgneos e a enorme quantidade de f\u00f3sseis, com uma distribui\u00e7\u00e3o  generalizada, retratam uma grande trag\u00e9dia \u2013 uma cat\u00e1strofe geol\u00f3gica,  de propor\u00e7\u00f5es globais, ocorrida (em seu momento mais intenso) em um  breve intervalo de tempo (<strong>meses)<\/strong>. Utilizando a  subdivis\u00e3o convencional da Coluna Geol\u00f3gica, a referida cat\u00e1strofe  geol\u00f3gica global corresponderia ao intervalo que se inicia no  \u201cCambriano\u201d e termina no \u201cNe\u00f3geno\u201d, conforme o modelo exposto na Figura  10.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"415\" height=\"45\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-09.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-518\" title=\"Figura 09\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-09.jpg\" alt=\"\" width=\"395\" height=\"229\" srcset=\"https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-09.jpg 395w, https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-09-300x173.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">FIGURA     9 \u2013 Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais     interligados \u2013 <span style=\"text-decoration: underline;\">A Grande Cat\u00e1strofe<\/span> \u2013 desenvolvendo-se em curtos     per\u00edodos de tempo (horas, dias, semanas e meses)<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"230\" height=\"31\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-10.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-519\" title=\"Figura 10\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-10.jpg\" alt=\"\" width=\"296\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-10.jpg 296w, https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-10-230x300.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 296px) 100vw, 296px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">FIGURA     10 \u2013 A Coluna     Geol\u00f3gica<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abordagem geol\u00f3gica aqui desenvolvida, muito embora seja diferente,  em termos geocronol\u00f3gicos, da vis\u00e3o defendida pelos ge\u00f3logos em geral,  fundamenta-se, em grande parte, nos dados pertinentes aos referidos  fen\u00f4menos dispon\u00edveis na pr\u00f3pria literatura cient\u00edfica convencional. Na  verdade, um importante fator distintivo reside na interliga\u00e7\u00e3o dos seis  Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais (ver Figura 9). Destes seis, tr\u00eas (impactos  meteor\u00edticos, LIPs e extin\u00e7\u00e3o em massa) j\u00e1 se encontram interligados na  pr\u00f3pria literatura geol\u00f3gica tradicional. Os outros tr\u00eas, infelizmente,  n\u00e3o t\u00eam sido conjuntamente explorados, provavelmente, pelo seguinte  motivo: \u00e9 exatamente no contexto harmonioso destes seis eventos  geol\u00f3gicos globais, que os tempos geol\u00f3gicos s\u00e3o drasticamente  reduzidos, dos tradicionais milh\u00f5es de anos, para intervalos de tempo  equivalentes a <strong>horas<\/strong>, <strong>dias<\/strong>, <strong>semanas<\/strong> e <strong>meses<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente, nenhum evento geol\u00f3gico, presentemente observado, pode  ser comparado com a extens\u00e3o e magnitude dos Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos  Globais \u2013 a Grande Cat\u00e1strofe. No entanto, os resultados devastadores  deste tr\u00e1gico desastre pret\u00e9rito \u2013 envolvendo a destrui\u00e7\u00e3o em massa de  seres (plantas e animais) \u2013 podem ser melhor compreendidos, quando os  comparamos com determinados efeitos oriundos dos atuais desastres  geol\u00f3gicos, evidentemente, muit\u00edssimo mais pontuais ou restritos,  ocorridos nos tempos modernos.<\/p>\n<p><strong>O PRESENTE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicialmente, \u00e9 importante real\u00e7ar a distin\u00e7\u00e3o entre os fen\u00f4menos  geol\u00f3gicos ordin\u00e1rios (mudan\u00e7as lentas e graduais) e aqueles de natureza  extraordin\u00e1ria (mudan\u00e7as r\u00e1pidas e catastr\u00f3ficas). Os eventos  ordin\u00e1rios (n\u00e3o s\u00e3o catastr\u00f3ficos), em princ\u00edpio, n\u00e3o provocam  transtornos ou altera\u00e7\u00f5es danosas ao meio ambiente; o equil\u00edbrio  ecol\u00f3gico \u00e9 mantido; como exemplo, destacamos os processos cont\u00ednuos e  lentos de sedimenta\u00e7\u00e3o observados no desenvolvimento do delta do rio  Amazonas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, os fen\u00f4menos geol\u00f3gicos extraordin\u00e1rios seriam  equivalentes aos fen\u00f4menos vulc\u00e2nicos, terremotos e maremotos de grande  magnitude, dentre outros eventos catacl\u00edsmicos (a\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica de  \u00e1guas de superf\u00edcie, tsunamis, etc.). Os ecossistemas s\u00e3o parcial ou  totalmente destru\u00eddos. As imensas \u00e1reas afetadas atingem centenas ou  mesmo milhares de km<sup>2<\/sup>. Estes fen\u00f4menos geol\u00f3gicos espor\u00e1dicos  se desenvolvem rapidamente (minutos, horas e dias). Felizmente, os  atuais desastres geol\u00f3gicos ocorrem esporadicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cat\u00e1strofes geol\u00f3gicas, atualmente observadas, poderiam constituir  uma chave na compreens\u00e3o dos eventos geol\u00f3gicos pret\u00e9ritos \u2013 os  referidos Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais? Possivelmente. Percebe-se ent\u00e3o  claramente a import\u00e2ncia de estarmos mais atentos aos efeitos dos atuais  desastres geol\u00f3gicos, pois a compreens\u00e3o desses mesmos fen\u00f4menos poder\u00e1  eventualmente favorecer um entendimento mais esclarecedor dos eventos  passados ou faneroz\u00f3icos (ver Figura 10) os quais, quando devidamente  identificados e caracterizados, apresentam evid\u00eancias inequ\u00edvocas de uma  ampla e devastadora cat\u00e1strofe global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p><em>Explos\u00e3o do Vulc\u00e3o Santa Helena<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A erup\u00e7\u00e3o explosiva do vulc\u00e3o Santa Helena (EUA) representa muito bem  um fen\u00f4meno geol\u00f3gico extraordin\u00e1rio recente (Figura 11). No dia 18 de  maio de 1980, segundos ap\u00f3s um forte tremor (4.9 na escala Richter), o  flanco norte da montanha explodiu (a energia liberada equivaleu a 500  vezes a bomba at\u00f4mica lan\u00e7ada em Hiroshima) pulverizando literalmente  400 metros do topo. Cerca de 1 km\u00b3 de poeira e gases (material  suficiente para construir 400 grandes pir\u00e2mides) foram lan\u00e7ados na  atmosfera, produzindo um \u201ccogumelo\u201d com 20.000 metros de altura.<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"333\" height=\"33\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-520\" title=\"Figura 11\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-11.jpg\" alt=\"\" width=\"311\" height=\"312\" srcset=\"https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-11.jpg 311w, https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-11-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-11-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 311px) 100vw, 311px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura     11 \u2013 Erup\u00e7\u00e3o     catastr\u00f3fica do Vulc\u00e3o Santa Helena (18\/05\/1980)<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ocasi\u00e3o, o impacto explosivo gerou ventos violent\u00edssimos de g\u00e1s  superaquecido (500 \u00b0C), que devastaram 10 milh\u00f5es de \u00e1rvores, provocando  a morte de milhares de animais, 61 pessoas (felizmente, uma regi\u00e3o com  uma esparsa popula\u00e7\u00e3o) e arrasando uma \u00e1rea de 400 km\u00b2. A catastr\u00f3fica  explos\u00e3o do vulc\u00e3o Santa Helena \u2013 EUA gerou fluxos de colossais volumes  de material sedimentar, transportados e depositados em <strong>poucas horas. <\/strong>Determinado  pacote sedimentar ent\u00e3o formado, com oito metros de espessura,  apresenta marcante estratifica\u00e7\u00e3o laminada. As delgadas l\u00e2minas  consistem de ritmitos (partes escuras e claras) ou, altern\u00e2ncias de  fragmentos finos e grosseiros de material pirocl\u00e1stico (fragmentos  provenientes de explos\u00f5es vulc\u00e2nicas), incluindo localmente  estratifica\u00e7\u00f5es cruzadas (Figura 12). Estes ritmitos s\u00e3o facilmente  explicados se aplicarmos o j\u00e1 referido fen\u00f4meno da estratifica\u00e7\u00e3o  espont\u00e2nea.<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"323\" height=\"56\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-12.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-521\" title=\"Figura 12\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-12.jpg\" alt=\"\" width=\"311\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-12.jpg 311w, https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-12-300x190.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 311px) 100vw, 311px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 12 \u2013 Ritmitos     (estratifica\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea), produzidos durante     a erup\u00e7\u00e3o do Vulc\u00e3o Santa Helena<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong><em>Outros Desastres Geol\u00f3gicos Atuais<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destaca-se aquele que \u00e9 considerado um dos maiores desastres naturais  da hist\u00f3ria \u2013 a extraordin\u00e1ria erup\u00e7\u00e3o do Krakatoa, na Indon\u00e9sia, em  agosto de 1883: uma catastr\u00f3fica associa\u00e7\u00e3o de violenta explos\u00e3o  vulc\u00e2nica, forma\u00e7\u00e3o de grandes tsunamis, mortandade em massa, altera\u00e7\u00f5es  clim\u00e1ticas, etc. A explos\u00e3o corresponderia \u00e0 libera\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea de  energia equivalente a 5.000 bombas de Hiroshima. Dois ter\u00e7os da ilha  Krakatoa desapareceram. A montanha de 2.700 metros de altura reduziu-se a  1.500 metros. A nuvem formada pela explos\u00e3o atingiu 50.000 metros de  altura, distribuindo 18 km<sup>3<\/sup> de cinzas vulc\u00e2nicas por 700.000 km<sup>2<\/sup>,  promovendo o bloqueamento de 13% da luz solar e, conseq\u00fcentemente, o  abaixamento das temperaturas globais em 0.5\u00b0C durante 2 ou 3 anos. Na  ocasi\u00e3o, formaram-se tsunamis sucessivos com ondas de 40 metros de  altura, que percorreram dist\u00e2ncias de at\u00e9 20.000 km (Panam\u00e1) e foram  respons\u00e1veis pela morte de 36.000 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro exemplo marcante, dos efeitos catastr\u00f3ficos de um evento  vulc\u00e2nico recente, refere-se \u00e0 tr\u00e1gica erup\u00e7\u00e3o do vulc\u00e3o Nevado Del Ruiz  (Col\u00f4mbia) em 13 de novembro de 1985. O vulc\u00e3o andino, com 5.389 m de  altura, entrou em erup\u00e7\u00e3o explosiva (pirocl\u00e1stica) com magnitude  pequena, mas o suficiente para provocar o derretimento de 10% da sua  calota de gelo, gerando assim fluxos de lama que se deslocaram com  impressionante velocidade (40m\/seg.) encosta abaixo. Esses fluxos  catastr\u00f3ficos de lama soterraram, literalmente, o vale adjacente onde se  localizava a cidade de Armero \u2013 22.000 pessoas perderam a vida. Uma  poss\u00edvel investiga\u00e7\u00e3o de sub-superf\u00edcie com sondagens, ou mesmo, o  desenvolvimento de um processo natural de eros\u00e3o nesta regi\u00e3o (Figura  13), que compreende cerca de 40 km\u00b2, poderia provavelmente expor seres  em franco processo de fossiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"373\" height=\"30\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-13.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-522\" title=\"Figura 13\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-13.jpg\" alt=\"\" width=\"372\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-13.jpg 372w, https:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Figura-13-300x214.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 372px) 100vw, 372px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura     13 \u2013 Cidade     de Armero (Col\u00f4mbia), parcialmente soterrada (13\/11\/85)<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto dos desastres geol\u00f3gicos atuais, destaca-se ainda o  tr\u00e1gico maremoto (9 graus na escala Richter) do sudeste asi\u00e1tico, no dia  26 de dezembro de 2004. Os tsunamis ent\u00e3o formados \u2013 deslocando-se no  Oceano \u00cdndico com velocidades superiores a 800 km\/h \u2013 dizimaram centenas  de milhares de pessoas em <strong>poucas horas<\/strong>. O poder de  destrui\u00e7\u00e3o desse maremoto seria equivalente a 23.000 bombas at\u00f4micas, do  tipo que devastou Nagasaki em 1945. As enormes ondas, ao deslocaram-se  rapidamente, atingiram em <strong>poucas horas<\/strong> a costa africana  (4.800 km de dist\u00e2ncia).\u00a0 O litoral de 14 pa\u00edses em dois continentes  (\u00c1sia e \u00c1frica) foi varrido por tsunamis de at\u00e9 20 metros de altura,  vitimando mais de 200.000 vidas em <strong>poucos minutos<\/strong>.  Nesse tr\u00e1gico evento geol\u00f3gico extraordin\u00e1rio, ilhas inteiras  deslocaram-se em algumas dezenas de metros e outras desapareceram. A  orla mar\u00edtima de v\u00e1rios pa\u00edses foi modificada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o seria nada confort\u00e1vel (alt\u00edssimo risco de vida), se f\u00f4ssemos  obrigados a vivenciar (testemunhas presenciais) os quatro desastres  geol\u00f3gicos, dos tempos modernos, aqui apresentados. Mas, algo muito pior  ocorreu no passado. Procure ent\u00e3o se colocar, mentalmente, em um  ambiente em que os tr\u00eas desastres vulc\u00e2nicos aqui resumidamente  descritos (Santa Helena, Krakatoa e Nevado Del Ruiz), juntamente com o  tr\u00e1gico maremoto de 2004 no sudeste asi\u00e1tico, tenham sido substitu\u00eddos  por outros equivalentes, mas muito mais violentos e abrangentes \u2013 os  Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, neste cen\u00e1rio devastador, se sobrevivermos aos violentos  impactos de gigantescos meteor\u00edticos e \u00e0 a\u00e7\u00e3o destruidora de  megatsunamis, estaremos ent\u00e3o presenciando imensos \u201cvulc\u00f5es lineares\u201d  (zona de diverg\u00eancia de placas tect\u00f4nicas), cada um com uma cratera de  milhares de quil\u00f4metros de extens\u00e3o, jorrando milh\u00f5es de km3  de lava incandescente, juntamente com o gigantesco e catastr\u00f3fico  dobramento de camadas sedimentares (zona de converg\u00eancia de placas  tect\u00f4nicas) \u2013 originando imensas e majestosas cordilheiras com milhares  de quil\u00f4metros de extens\u00e3o. Certamente, nesse cen\u00e1rio dantesco,  estaremos ainda sendo vitimados por violent\u00edssimos e destruidores  terremotos e maremotos, com magnitudes acima de 10 na Escala Richter.<\/p>\n<p><strong>O PRESENTE \u2013 UMA CHAVE PARA O PASSADO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este confronto desigual, entre os atuais desastres geol\u00f3gicos e os  Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais (desenvolvidos no passado), certamente,  constitui a melhor forma de se valorizar a conhecida frase \u201co presente \u00e9  a chave do passado\u201d, quando desejamos compreender a hist\u00f3ria natural,  nos campos da Geologia e da Paleontologia. Ou seja, seria inadmiss\u00edvel  conciliar os seis Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais (ou a Grande Cat\u00e1strofe) e  os seus efeitos violentos e devastadores \u2013 aqui resumidamente  explanados \u2013 com a repeti\u00e7\u00e3o prolongada dos fen\u00f4menos geol\u00f3gicos  ordin\u00e1rios (mudan\u00e7as lentas e graduais), mesmo se admit\u00edssemos, para o  desenvolvimento calmo e tranq\u00fcilo dos eventos ordin\u00e1rios, os supostos  milh\u00f5es de anos preconizados pela geologia convencional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria ent\u00e3o bastante razo\u00e1vel admitir que: a <span style=\"text-decoration: underline;\">Grande Cat\u00e1strofe<\/span> (o evento mais marcante da Geologia Hist\u00f3rica) identifica-se, muito  melhor, com os grandes desastres naturais atuais que se desenvolvem  rapidamente, com as suas respectivas conseq\u00fc\u00eancias nefastas \u00e0 vida,  relativamente aos fen\u00f4menos geol\u00f3gicos ordin\u00e1rios que, mesmo ocorrendo  indefinidamente, jamais resultariam novas e espessas camadas  sedimentares com abundantes e diversificados f\u00f3sseis. Conv\u00e9m ainda  salientar que os desastres naturais, observados presentemente, s\u00e3o  pontuais no tempo e no espa\u00e7o. J\u00e1 a Grande Cat\u00e1strofe se manifestou  globalmente e de maneira ininterrupta, durante um curto intervalo de  tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea, caro leitor, que n\u00e3o est\u00e1 familiarizado com a Geologia, muito  menos com a sua terminologia t\u00e9cnica e, provavelmente, sem uma clara  percep\u00e7\u00e3o das poss\u00edveis implica\u00e7\u00f5es da Grande Cat\u00e1strofe, dificilmente  imaginar\u00e1 a verdadeira import\u00e2ncia dos dados cient\u00edficos, aqui  brevemente expostos \u2013 relativos aos Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais \u2013 como  um n\u00edtido retrato do maior desastre natural da hist\u00f3ria da humanidade: o  Dil\u00favio de G\u00eanesis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, o impressionante relato b\u00edblico do Dil\u00favio complementa e \u00e9  complementado pelas evid\u00eancias cient\u00edficas deste devastador desastre  geol\u00f3gico. A partir ent\u00e3o da harmonia entre o conhecimento cient\u00edfico  (FGG) e o conhecimento b\u00edblico (Dil\u00favio), \u00e9 poss\u00edvel construir um modelo  unificador (Souza Jr., 2004) da breve hist\u00f3ria da Terra, enfatizando-se  seu momento mais dram\u00e1tico \u2013 a Grande Cat\u00e1strofe \u2013 ilustrado na forma  de uma coluna geologia alternativa (Figura 14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, podemos agora perceber, mais claramente, que os desastres geol\u00f3gicos do <strong>presente <\/strong>constituem importante <strong>chave <\/strong>para a compreens\u00e3o do <strong>passado<\/strong> (o Dil\u00favio B\u00edblico ou a Grande Cat\u00e1strofe).\u00a0 Como nunca, j\u00e1 em pleno  s\u00e9culo XXI, encontramos um n\u00famero t\u00e3o expressivo de evid\u00eancias  cient\u00edficas que corroboram a realidade do grande Dil\u00favio de G\u00eanesis.  Estamos nos referindo n\u00e3o apenas a poderosas enchentes regionais  (Mesopot\u00e2mia, Mar Negro, etc.), mas sim, a uma cat\u00e1strofe singular \u2013 de  amplitude global \u2013 que assolou toda a superf\u00edcie terrestre, h\u00e1 poucos  milhares de anos e em um curto per\u00edodo de tempo. As inevit\u00e1veis  implica\u00e7\u00f5es b\u00edblicas ou teol\u00f3gicas de um determinado modelo de eventos  geol\u00f3gicos \u2013 os seis Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais \u2013 n\u00e3o desqualificariam  necessariamente este mesmo modelo perante a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"407\" height=\"30\" align=\"left\" valign=\"top\" bgcolor=\"white\">\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/coluna-geol\u00f3gica.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Coluna Geol\u00f3gica\" src=\"http:\/\/www.evidenciasonline.org\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/coluna-geol\u00f3gica-758x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"758\" height=\"1024\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura      14 \u2013 \u201cUma Breve Hist\u00f3ria da Terra\u201d \u2013     Modelo Alternativo de Coluna  Geol\u00f3gica (Clique na Figura para visualizar os detalhes)<\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">A impressionante harmonia verificada entre a prov\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o dos  Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais, e os intervalos de tempo mencionados na  narrativa b\u00edblica do Dil\u00favio (<strong>dias e meses<\/strong>), nos  induzem a valorizar esse relato (G\u00eanesis 7 e 8) e a utilizar sua  seq\u00fc\u00eancia cronol\u00f3gica como a melhor alternativa dispon\u00edvel para  substituir a Geocronologia Padr\u00e3o, com seus presum\u00edveis milh\u00f5es de anos  associados \u00e0 insustent\u00e1vel seq\u00fc\u00eancia de eventos ordin\u00e1rios lentos e  graduais, preconizados pela cosmovis\u00e3o evolucionista das origens. Assim,  os f\u00f3sseis ent\u00e3o representariam os seres pr\u00e9-diluvianos criados  originalmente por Deus (G\u00eanesis 1 e 2). O conjunto de todas estas  informa\u00e7\u00f5es nos possibilita reconstituir, em uma seq\u00fc\u00eancia l\u00f3gica e  consistente, o per\u00edodo geol\u00f3gico mais conturbado da breve hist\u00f3ria da  Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interessante \u00e9 notar a \u00eanfase b\u00edblica em apenas dois (a\u00e7\u00e3o  devastadora de grandes volumes de \u00e1gua e mortandade em massa) dos seis  Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais. Na verdade, estes dois fen\u00f4menos s\u00e3o  exclusivos da Terra, relativamente aos efeitos imediatos e secund\u00e1rios  do Grande Bombardeamento nos demais corpos celestes do Sistema Solar.  Para um espectador, plantado na superf\u00edcie da Terra, a movimenta\u00e7\u00e3o  catastr\u00f3fica de \u00e1guas (vindas de baixo, de cima e lateralmente)  constituem o fen\u00f4meno mais percept\u00edvel. A mortandade em massa,  evidentemente, representa o evento mais tr\u00e1gico da Grande Cat\u00e1strofe,  justificando a repeti\u00e7\u00e3o \u201c<em>E expirou toda a carne que se movia sobre a terra<\/em><em>&#8230;\u201d <\/em>por tr\u00eas vezes no relato b\u00edblico do Dil\u00favio (G\u00eanesis 7: 21-23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Geralmente, dos materiais vol\u00e1teis, expelidos pela atividade  vulc\u00e2nica, a \u00e1gua \u00e9 o mais abundante. Com efeito, ap\u00f3s os m\u00faltiplos  impactos de meteoritos e conseq\u00fcente abertura de colossais fendas \u2013  antes e durante os processos de extravasamento dos gigantescos volumes  de lava (LIPs) \u2013 fabulosas quantidades de \u00e1gua provavelmente tenham sido  liberadas, de maneira violenta, justificando assim a declara\u00e7\u00e3o  b\u00edblica: <em>\u201c&#8230; se romperam todas as fontes do grande abismo&#8230; (G\u00eanesis 7:11 p.p.)\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Analisando-se o referido modelo unificador (ver Figura 14),  verifica-se ainda o not\u00e1vel paralelismo entre o desenvolvimento dos  Fen\u00f4menos Geol\u00f3gicos Globais, a narrativa do Dil\u00favio (G\u00eanesis 7: 11 a 8:  19) e a real seq\u00fc\u00eancia (relativamente ordenada) de soterramento de  seres, preservada no Registro F\u00f3ssil. A disposi\u00e7\u00e3o do conte\u00fado f\u00f3ssil  retrataria: a morte catastr\u00f3fica e o soterramento r\u00e1pido e ordenado dos  seres (Mobilidade Diferenciada); o sepultamento cont\u00ednuo e seq\u00fcencial de  plantas e animais (Flutuabilidade Seletiva), que antes viviam  organizadamente distribu\u00eddos (Zoneamento Paleoecol\u00f3gico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A incontest\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o da narrativa b\u00edblica do Dil\u00favio, para  uma correta interpreta\u00e7\u00e3o dos fatos geol\u00f3gicos, pode ser confirmada por  v\u00e1rias declara\u00e7\u00f5es de Ellen White (UNASPRESS, 2003), dentre as quais  destacamos as seguintes:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\"><em>A inspira\u00e7\u00e3o ao nos apresentar a hist\u00f3ria do Dil\u00favio, explicou  mist\u00e9rios grandiosos que a Geologia, independente da inspira\u00e7\u00e3o, nunca o  faria.<\/em><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><em>Mois\u00e9s escreveu sob a orienta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito de Deus, e uma  teoria geol\u00f3gica correta jamais afirmar\u00e1 descobertas que n\u00e3o podem ser  harmonizadas com as declara\u00e7\u00f5es mosaicas. <\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa Grande Cat\u00e1strofe soterrou os ambientes previamente existentes e  resultou em um mundo p\u00f3s-diluviano que, em muitas situa\u00e7\u00f5es, proveu  condi\u00e7\u00f5es ambientais drasticamente diferentes para os organismos vivos.  Dentre as conseq\u00fc\u00eancias funestas \u00e0 vida, ap\u00f3s o Dil\u00favio, destacam-se os  desastres geol\u00f3gicos atuais. Estes espor\u00e1dicos desastres (o presente)  s\u00e3o \u00fateis (uma chave) apenas para uma melhor compreens\u00e3o do passado  (FGG), ou o poss\u00edvel recrudescimento desses mesmos desastres poderia  tamb\u00e9m apontar (outra chave) para um importante evento no futuro  pr\u00f3ximo?<\/p>\n<p><strong>O PRESENTE \u2013 UMA CHAVE PARA O FUTURO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 tarefa dif\u00edcil constatarmos, nos dias atuais, um not\u00e1vel  aumento na freq\u00fc\u00eancia e intensidade das cat\u00e1strofes geol\u00f3gicas, em  particular, e dos desastres naturais em geral. A contribui\u00e7\u00e3o das  Sagradas Escrituras \u00e9 extraordin\u00e1ria, quando se refere ao Dil\u00favio de  G\u00eanesis (<strong>passado<\/strong>) e, antecipadamente, liga este mesmo evento ao <strong>presente <\/strong>e ao <strong>futuro<\/strong>. O texto espec\u00edfico (Mateus 24: 37-39) refere-se \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual (<strong>presente<\/strong>) como sendo semelhante \u00e0 \u00e9poca pr\u00e9-diluviana (<strong>passado) <\/strong>e aponta, solenemente, para o<strong> futuro <\/strong>(o retorno do Filho do Homem). As palavras n\u00e3o poderiam ser mais fidedignas \u2013 elas foram proferidas pelo pr\u00f3prio Jesus: <em>\u201c<\/em><em>E, como foi nos dias de No\u00e9, assim ser\u00e1, tamb\u00e9m, a vinda do Filho do homem.<\/em><em>Porquanto,  assim como, nos dias anteriores ao dil\u00favio, comiam, bebiam, casavam e  davam-se em casamento, at\u00e9 ao dia em que No\u00e9 entrou na arca.<\/em><em>E n\u00e3o o perceberam, at\u00e9 que veio o dil\u00favio e os levou a todos, assim ser\u00e1, tamb\u00e9m, a vinda do Filho do homem<\/em><em>.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o ambiental de nosso planeta, no <strong>presente<\/strong>, a B\u00edblia tamb\u00e9m se antecipou h\u00e1 mais 2.500 atr\u00e1s: <em>\u201c<\/em><em>A terra pranteia e se murcha: o mundo enfraquece e se murcha: enfraquecem os mais altos do povo da terra.<\/em><em>Na  verdade, a terra est\u00e1 contaminada, por causa dos seus moradores;  porquanto transgridem as leis, mudam os estatutos, e quebram a alian\u00e7a  eterna.<\/em><em>Por isso, a maldi\u00e7\u00e3o consome a terra; e os que  habitam nela ser\u00e3o desolados; por isso, ser\u00e3o queimados os moradores da  terra, e poucos homens restar\u00e3o.<\/em><em>\u201d (Isaias 24: 4-6). <\/em>Esta  declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o se trata de uma antecipa\u00e7\u00e3o alarmista e inconseq\u00fcente,  mas sim reflete a atual realidade e aponta para a proximidade de um <strong>futuro<\/strong> que infunde esperan\u00e7a: \u201c<em>Ora,  quando estas coisas come\u00e7arem a acontecer, olhai para cima, e levantai  as vossas cabe\u00e7as, porque a vossa reden\u00e7\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3xima.<\/em><em>\u201d (Lucas 21: 28).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O maior acontecimento da hist\u00f3ria da humanidade \u2013 o retorno glorioso  de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo \u2013 ser\u00e1 acompanhado por estranhas  manifesta\u00e7\u00f5es da natureza (outra cat\u00e1strofe global?): <em>\u201c<\/em><em>Mas  o dia do Senhor vir\u00e1 como o ladr\u00e3o de noite; no qual os c\u00e9us passar\u00e3o  com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfar\u00e3o, e a terra e  as obras que nela h\u00e1 se queimar\u00e3o.<\/em><em>\u201d (II Pedro 3: 10). <\/em>No entanto, em meio a estes eventos catacl\u00edsmicos, a rea\u00e7\u00e3o dos salvos ser\u00e1 de plena felicidade e realiza\u00e7\u00e3o \u2013 \u201c&#8230; <em>Eis  que este \u00e9 o nosso Deus, a quem aguard\u00e1vamos, e ele nos salvar\u00e1: este \u00e9  o Senhor, a quem aguard\u00e1vamos: na sua salva\u00e7\u00e3o, gozaremos e nos  alegraremos.<\/em><em>\u201d (Isaias 25: 9).<\/em><\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A breve (brev\u00edssima) hist\u00f3ria geol\u00f3gica faneroz\u00f3ica, como apresentada  resumidamente no presente artigo, reflete o qu\u00e3o distante a geologia  hist\u00f3rica convencional (evolucionista) se afastou do verdadeiro  significado da Coluna Geol\u00f3gica. Este resultado desastroso e  prejudicial, que perdura por 150 anos, n\u00e3o apenas bloqueou o progresso  cient\u00edfico no campo da Geologia, mas tamb\u00e9m prejudicou,  irremediavelmente, a carreira acad\u00eamica de muitos cientistas honestos e  competentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, raciocinando de maneira mais positiva, podemos  perceber o quanto a Geologia pode promover uma significativa valoriza\u00e7\u00e3o  das Sagradas Escrituras. Verificamos ainda que o conhecimento  geol\u00f3gico, obtido mediante a pesquisa cient\u00edfica, revela-se como  insuficiente para descrever os eventos do passado. Mas, felizmente, a  B\u00edblia fornece informa\u00e7\u00f5es \u201cgeol\u00f3gicas\u201d suplementares, com  exclusividade, de inestim\u00e1vel valor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a coerente e sustent\u00e1vel associa\u00e7\u00e3o entre o conhecimento  b\u00edblico (Dil\u00favio de G\u00eanesis) e o conhecimento cient\u00edfico (os Fen\u00f4menos  Geol\u00f3gicos Globais e a Grande Cat\u00e1strofe), possibilita a obten\u00e7\u00e3o de  importantes dados geol\u00f3gicos que, dificilmente, seriam descobertos sob o  prisma da geologia convencional. Deve ent\u00e3o ser ressaltada a  import\u00e2ncia fundamental das informa\u00e7\u00f5es contidas no registro b\u00edblico do  Dil\u00favio, para a constru\u00e7\u00e3o de uma coluna geol\u00f3gica coerente, nos seus  aspectos paleontol\u00f3gicos e cronol\u00f3gicos. Na verdade, sem o conhecimento  da teologia b\u00edblica, o autor jamais teria levantado e organizado os  dados e as id\u00e9ias como aqui expostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, o modelo representado pela Figura 14 fundamenta-se em dois  grandes livros, o que possibilita apresentar a Geologia em uma nova  perspectiva. Os espessos e extensos pacotes sedimentares, do  \u201cFaneroz\u00f3ico\u201d, podem ser comparados com o fant\u00e1stico conte\u00fado de um <span style=\"text-decoration: underline;\">livro monumental<\/span>.  Nas p\u00e1ginas de pedra desse livro encontram-se registrados,  indelevelmente, epis\u00f3dios de uma trag\u00e9dia de propor\u00e7\u00f5es globais. Esse  livro, para ser corretamente interpretado, deve ser analisado  paralelamente ao <span style=\"text-decoration: underline;\">\u201cLivro dos livros\u201d<\/span> \u2013 a B\u00edblia \u2013 que cont\u00eam valios\u00edssimas informa\u00e7\u00f5es, incluindo a narrativa do Dil\u00favio B\u00edblico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato do Dil\u00favio \u2013 para ser validado ou aceito como um evento  hist\u00f3rico \u2013 necessita da identifica\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias cient\u00edficas ou  geol\u00f3gicas?\u00a0 Certamente, n\u00e3o. O pr\u00f3prio Deus \u2013 valendo-se de leis  desconhecidas (n\u00e3o teriam anulado as leis j\u00e1 conhecidas) nos tempos  b\u00edblicos, ou mesmo, de maneira sobrenatural \u2013 poderia ter provocado o  grande Dil\u00favio. No entanto, ao nos apropriarmos do conhecimento  geol\u00f3gico dispon\u00edvel, verificamos a possibilidade de se construir um  interessante quadro de eventos, como aquele apresentado neste trabalho. \u00c9  importante tamb\u00e9m ressaltar que o modelo de coluna geol\u00f3gica, aqui  apresentado, deve ser considerado apenas como um esquema provis\u00f3rio, que  visa estimular, ou mesmo facilitar, novas e cont\u00ednuas investiga\u00e7\u00f5es,  tanto no campo teol\u00f3gico como na \u00e1rea da pesquisa cient\u00edfica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, no contexto do pr\u00f3prio Criacionismo, pode se afirmar que,  no que se refere \u00e0 Geologia, a ci\u00eancia e a f\u00e9 podem conviver  harmoniosamente. O conhecimento cient\u00edfico e o conhecimento  b\u00edblico-hist\u00f3rico envolvem princ\u00edpios e procedimentos perfeitamente  compat\u00edveis. A ci\u00eancia \u00e9 o conhecimento do que foi criado, preservado e  modificado; enquanto que a B\u00edblia nos fornece o conhecimento de Quem  criou, porque criou e porque possibilitou a ocorr\u00eancia de determinados  processos adaptativos e permitiu outras tantas modifica\u00e7\u00f5es delet\u00e9rias  no mundo natural. Portanto, enquanto a ci\u00eancia procura desvendar as  maravilhas e os enigmas da cria\u00e7\u00e3o, a B\u00edblia nos leva a compreender  melhor o Criador e o Seu poder para recriar e salvar.<\/p>\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALVAREZ, L. W., et alii \u2013 <em>Extra-Terrestrial Cause for the Cretaceous Tertiary Extinction<\/em>: Science, vol. 208, n\u00ba 4448, p. 1095 \u2013 1108. 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COFFIN, M. 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